The Lurker Radio (ou here we go again)
Estes períodos de "soltericie-provisória" que se abatem sobre mim com certa periodicidade agora, e por motivos os mais vários, sempre têm consequências sobre meu estado de espírito (a mais das vezes, nada interessantes). Considerando-se ainda o desaparecimento do monossílabo Si, que não se manifesta para coisa alguma já tem um tempo, a situação descamba do incômodo para o depressivo. Mas, também, fazer o quê...
Em homenagem aos deprimentes anônimos e depressivos conhecidos, segue...
Primeiros Erros
Capital Inicial
Album: Capital Inicial Acústico MTV
Meu caminho é cada manhã
Não procure saber onde estou
Meu destino não é de ninguém
E eu não deixo os meus passos no chão
Se você não entende não vê
Se não me vê não entende
Não procure saber onde estou
Se o meu jeito te surpreende
Se o meu corpo virasse sol
Minha mente virasse sol
Mas só chove e chove, chove e chove
Se um dia eu pudesse ver
Meu passado inteiro
E fizesse parar de chover
Nos primeiros erros, oh
Meu corpo viraria sol
Minha mente viraria sol
Mas só chove e chove, chove e chove
Ps: - Sim, é a versão do Capital. Depressivo, ma no troppo... :-)
The Lurker Says: "Alguém teria um guarda-chuva?"
agosto 18, 2003
julho 30, 2003
The Lurker e as fraudes acadêmicas (ou "Caveat Emptor!")
Poucas coisas tem me tirado tanto do sério como corrigir provas. Convenhamos: a prova é um diálogo entre o professor e o aluno. O primeiro quer medir o que o segundo sabe. O segundo, quer se livrar da avaliação com o que sabe (e mesmo com o que não sabe). Diferente de muitos de meus colegas, eu acredito que “roubar” faz parte das armas disponíveis por parte do aluno. E impedir que isto aconteça é obrigação do professor, que dispõe também de suas armas. A regra do jogo funciona mais ou menos como a Convenção de Genebra: O prisioneiro de guerra tem o direito de tentar escapar e o carcereiro a obrigação de mantê-lo em reclusão.Da mesma maneira, o aluno tem o “direito” de tentar colar e cabe ao professor coibi-lo.
Por exemplo: no outro dia uma das turmas estava muito agitada com a prova de Matemática Financeira no segundo horário. Enquanto eu dava minha aula, alguns alunos se “preparavam” para a prova. Passando ao lado de uma aluna, notei que ela copiava, de um papel minúsculo, informações para sua carteira. Ato contínuo e sem maiores esclarecimentos tomei-lhe o papel da mão.
- Mas... Professor! O senhor não pode fazer isso!
- E o que você espera que eu faça? – respondi – Você sabe que não é correto o que está fazendo.
Aproximei-me então da carteira e, com um movimento rápido da mão, apaguei o que ela havia escrito.
- Ah, assim não dá! Disse ela.
- Você sempre pode reclamar com a coordenação de curso – respondi.
Os alunos que acompanharam a cena recolheram seus “bilhetes”. Os que não tinham bilhetes se limitaram a rir do infortúnio da colega.
Essa coisa de cola talvez seja um dos motivos pelos quais minhas provas são sempre discursivas: você tem que suar um pouco para me convencer de que sabe. Isso pode não ser necessariamente fácil, dado que minhas duas turmas comportam aproximadamente setenta alunos.
Pois estava eu a ler uma das provas quando me deparo com um texto muito parecido com o que havia lido em outra prova... parecido? Melhor idêntico... nahhh... ipsis literis seria mais adequado dizer. Parágrafos inteiros copiados de uma prova para outra. Bem, vamos agora descobrir quem é o autor(a) da brincadeira, quando descubro outra prova com o mesmo texto copiado. Muito bem, paciência tem limite: querer colar, tudo bem. Copiar o texto é burro, mas fazer isso DUAS vezes é apostar na minha incompetência. E aí já é acinte.
Mas então vamos ao trabalho dos alunos colantes, trabalho este cuja finalidade era justamente levantar a nota de quem precisava deste expediente. Pois não é que o trabalho também é colado? Só que desta vez da Internet. Com essa eu perdi a paciência. Ainda não decidi o procedimento, mas que isso não fica assim, ah, não fica!
The Lurker Says: "Cheat me in the price, but not in the goods."
-- Provérbio Britânico
Poucas coisas tem me tirado tanto do sério como corrigir provas. Convenhamos: a prova é um diálogo entre o professor e o aluno. O primeiro quer medir o que o segundo sabe. O segundo, quer se livrar da avaliação com o que sabe (e mesmo com o que não sabe). Diferente de muitos de meus colegas, eu acredito que “roubar” faz parte das armas disponíveis por parte do aluno. E impedir que isto aconteça é obrigação do professor, que dispõe também de suas armas. A regra do jogo funciona mais ou menos como a Convenção de Genebra: O prisioneiro de guerra tem o direito de tentar escapar e o carcereiro a obrigação de mantê-lo em reclusão.Da mesma maneira, o aluno tem o “direito” de tentar colar e cabe ao professor coibi-lo.
Por exemplo: no outro dia uma das turmas estava muito agitada com a prova de Matemática Financeira no segundo horário. Enquanto eu dava minha aula, alguns alunos se “preparavam” para a prova. Passando ao lado de uma aluna, notei que ela copiava, de um papel minúsculo, informações para sua carteira. Ato contínuo e sem maiores esclarecimentos tomei-lhe o papel da mão.
- Mas... Professor! O senhor não pode fazer isso!
- E o que você espera que eu faça? – respondi – Você sabe que não é correto o que está fazendo.
Aproximei-me então da carteira e, com um movimento rápido da mão, apaguei o que ela havia escrito.
- Ah, assim não dá! Disse ela.
- Você sempre pode reclamar com a coordenação de curso – respondi.
Os alunos que acompanharam a cena recolheram seus “bilhetes”. Os que não tinham bilhetes se limitaram a rir do infortúnio da colega.
Essa coisa de cola talvez seja um dos motivos pelos quais minhas provas são sempre discursivas: você tem que suar um pouco para me convencer de que sabe. Isso pode não ser necessariamente fácil, dado que minhas duas turmas comportam aproximadamente setenta alunos.
Pois estava eu a ler uma das provas quando me deparo com um texto muito parecido com o que havia lido em outra prova... parecido? Melhor idêntico... nahhh... ipsis literis seria mais adequado dizer. Parágrafos inteiros copiados de uma prova para outra. Bem, vamos agora descobrir quem é o autor(a) da brincadeira, quando descubro outra prova com o mesmo texto copiado. Muito bem, paciência tem limite: querer colar, tudo bem. Copiar o texto é burro, mas fazer isso DUAS vezes é apostar na minha incompetência. E aí já é acinte.
Mas então vamos ao trabalho dos alunos colantes, trabalho este cuja finalidade era justamente levantar a nota de quem precisava deste expediente. Pois não é que o trabalho também é colado? Só que desta vez da Internet. Com essa eu perdi a paciência. Ainda não decidi o procedimento, mas que isso não fica assim, ah, não fica!
The Lurker Says: "Cheat me in the price, but not in the goods."
-- Provérbio Britânico
The Lurker e a desabalada carreira (ou correndo mais que a Maureen Maggi)
Gente, que loucura está esse dia... Todos os projetos resolveram andar ao mesmo tempo. Parece que estavam todos na linha de saída e foi dada a largada. Nem bem saio do jurídico de um, liga-me a advogada do outro, pedindo material para ser juntado (sic) ao processo de Assistência Preparatória.
E caem os eucaliptos em sacrifício, tornando-se montanhas de papel para saciar a fome dos burocratas. Sofrem as impressoras em holocausto, submissas às inconstâncias e incongruências dos amanuenses.
The Lurker Says: Stay tuned. News at eleven.
Gente, que loucura está esse dia... Todos os projetos resolveram andar ao mesmo tempo. Parece que estavam todos na linha de saída e foi dada a largada. Nem bem saio do jurídico de um, liga-me a advogada do outro, pedindo material para ser juntado (sic) ao processo de Assistência Preparatória.
E caem os eucaliptos em sacrifício, tornando-se montanhas de papel para saciar a fome dos burocratas. Sofrem as impressoras em holocausto, submissas às inconstâncias e incongruências dos amanuenses.
The Lurker Says: Stay tuned. News at eleven.
julho 28, 2003
The Lurker Radio (ou Farewell song to a dying social structure)
Muito bem, depois de uma semana absolutamente louca e um fim de semana inócuo em termos de descanso, voltamos ao combate. Contornada a crise gerada pela quase dissidência das fileiras em minha equipe, causada por um profissional que me informou que não renovaria o contrato que ora se extingue, sou obrigado a render-me às evidências do pandemônio que se instala cada vez mais na estrutura de governo. Os jornais como dantes apontam para a lama, para a politicagem que cresce, para o ressurgimento da política do "é dando que se recebe", resgatando o estilo em voga desde que as naus da família real aportaram no país.
Desta forma, iniciamos a semana com uma trilha sonora adequada ao animo...
Spirits in the Material World
The Police
Album: Ghost in the machine (1981)
There is no political solution
To our troubled evolution
Have no faith in constitution
There is no bloody revolution
We are spirits in the material world
Are spirits in the material world
Are spirits in the material world
Are spirits in the material world
Our so-called leaders speak
With words they try to jail you
The subjugate the meek
But it’s the rhetoric of failure
We are spirits in the material world
Are spirits in the material world
Are spirits in the material world
Are spirits in the material world
Where does the answer lie?
Living from day to day
If it’s something we can’t buy
There must be another way
We are spirits in the material world
Are spirits in the material world
Are spirits in the material world
Are spirits in the material world
The Lurker Says: "There must be, not a balance of power, but a community of power; not organized rivalries, but an organized peace." Woodrow T. Wilson (Presidente Norte-americano, para fins de comparação ;-)
Muito bem, depois de uma semana absolutamente louca e um fim de semana inócuo em termos de descanso, voltamos ao combate. Contornada a crise gerada pela quase dissidência das fileiras em minha equipe, causada por um profissional que me informou que não renovaria o contrato que ora se extingue, sou obrigado a render-me às evidências do pandemônio que se instala cada vez mais na estrutura de governo. Os jornais como dantes apontam para a lama, para a politicagem que cresce, para o ressurgimento da política do "é dando que se recebe", resgatando o estilo em voga desde que as naus da família real aportaram no país.
Desta forma, iniciamos a semana com uma trilha sonora adequada ao animo...
Spirits in the Material World
The Police
Album: Ghost in the machine (1981)
There is no political solution
To our troubled evolution
Have no faith in constitution
There is no bloody revolution
We are spirits in the material world
Are spirits in the material world
Are spirits in the material world
Are spirits in the material world
Our so-called leaders speak
With words they try to jail you
The subjugate the meek
But it’s the rhetoric of failure
We are spirits in the material world
Are spirits in the material world
Are spirits in the material world
Are spirits in the material world
Where does the answer lie?
Living from day to day
If it’s something we can’t buy
There must be another way
We are spirits in the material world
Are spirits in the material world
Are spirits in the material world
Are spirits in the material world
The Lurker Says: "There must be, not a balance of power, but a community of power; not organized rivalries, but an organized peace." Woodrow T. Wilson (Presidente Norte-americano, para fins de comparação ;-)
julho 23, 2003
The Lurker e O Nome da Rosa (ou de como um livro perdido nas areias do tempo é resgatado)
A recente viagem ao Rio apresentou benefícios surpreendentes sob alguns aspectos. O encontro, como disse em outra ocasião, se realizou no Instituto de Matemática Pura e Aplicada - IMPA. O instituto tem, além de uma infra-estrutura interessantíssima, uma biblioteca de fazer inveja, tanto por seu sistema informatizado quanto pela qualidade do acervo.
No intervalo do almoço eu estava justamente passeando pelo programa de busca quando o Marcus entrou e sugeriu que pesquisasse pelo nome de um autor, famoso em nosso campo, que possui um livro especialmente difícil de se conseguir. Este em particular foi editado em 1968 e não teve reimpressões que se conheçam, eu procurei em Nova Iorque e em Paris, sem sucesso. A edição é rara, como se não bastasse.
Qual não foi, portanto, nossa surpresa quando, digitado o título do dito cujo a resposta foi positiva. Levantamos os dois, exclamando em voz alta e fazendo comentários de assombro e alegria genuína. Outros dois colegas se acercaram. E começaram a exclamar e comentar também. Neste momento, a bibliotecária já nos olhava assombrada: nunca vira tanta bulha por causa de um livro.
- Nós só vimos uma cópia (xerox) deste livro, uma vez, em Brasília - esclareci. - Mas o professor que tinha a cópia se recusou a nos deixar fazer uma outra.
Perguntamos então se poderíamos copiar o exemplar existente, ao que a bibliotecária, ciosa de seus deveres, recusou-se categoricamente.
- O limite para cópias de livros é de até 14 páginas - disse ela.
- Bem, neste caso, nós somos quatro, deve dar pelo menos 56.
Ela não pareceu concordar muito com a proposta, mas levou-nos até a prateleira onde estava o livro. É difícil explicar a sensação de encontrar uma coisa destas, mas diria que não é muito incorreto dizer que estávamos eufóricos. Voltamos com o livro, saindo da área reservada para a sala comum.
Para retirar o livro é necessário preencher a ficha de catalogação que o acompanha (como na maior parte das bibliotecas, diga-se de passagem). Quando puxamos a ficha, outra série de exclamações se seguiu. O único nome registrado, a única pessoa que jamais havia retirado o livro da biblioteca, era justamente nosso professor fominha! Os comentários que se seguiram terminaram por denunciá-lo inadvertidamente. Um detalhe para dar a devida dimensão ao fato: o livro, como mencionei, foi editado em 1968, adquirido pela biblioteca em 1982 e a única retirada (a dele!) havia sido em 1994.
Já estávamos conformados com as páginas a que teríamos direito e escolhemos nossos minguados e preciosos capítulos. Alguma coisa nos olhos da bibliotecária, entretanto, me dizia outra coisa. Pediu-nos que voltassemos no dia seguinte para que fossem cumpridos os ritos de praxe. Bem ela pediu, melhor nós executamos.
No dia seguinte, no mesmo horário retornamos para receber nossas páginas... apenas para receber uma cópia completa!
- Eu vi o quanto vocês precisavam - foi a explicação.
Ouvindo isso, só restou-me lembrar de William de Baskerville que, juntamente com Adso de Melk, adentra a biblioteca beneditina para resgatar o segundo volume da Poética de Aristóteles, o livro proibido de páginas envenenadas, que matava misteriosamente aquele que o lia:
"Uma Abadia é sempre um lugar onde os monges estão em luta entre si para se apoderar do governo da comunidade" - Humberto Eco (O Nome da Rosa - p. 153).
Isso parece igualmente ser verdade para a vida academica...
The Lurker says:"Rerum Novarum ex semel excitata cupiditate" (Encíclica Rerum Novarum - Papa Leão XIII)
A recente viagem ao Rio apresentou benefícios surpreendentes sob alguns aspectos. O encontro, como disse em outra ocasião, se realizou no Instituto de Matemática Pura e Aplicada - IMPA. O instituto tem, além de uma infra-estrutura interessantíssima, uma biblioteca de fazer inveja, tanto por seu sistema informatizado quanto pela qualidade do acervo.
No intervalo do almoço eu estava justamente passeando pelo programa de busca quando o Marcus entrou e sugeriu que pesquisasse pelo nome de um autor, famoso em nosso campo, que possui um livro especialmente difícil de se conseguir. Este em particular foi editado em 1968 e não teve reimpressões que se conheçam, eu procurei em Nova Iorque e em Paris, sem sucesso. A edição é rara, como se não bastasse.
Qual não foi, portanto, nossa surpresa quando, digitado o título do dito cujo a resposta foi positiva. Levantamos os dois, exclamando em voz alta e fazendo comentários de assombro e alegria genuína. Outros dois colegas se acercaram. E começaram a exclamar e comentar também. Neste momento, a bibliotecária já nos olhava assombrada: nunca vira tanta bulha por causa de um livro.
- Nós só vimos uma cópia (xerox) deste livro, uma vez, em Brasília - esclareci. - Mas o professor que tinha a cópia se recusou a nos deixar fazer uma outra.
Perguntamos então se poderíamos copiar o exemplar existente, ao que a bibliotecária, ciosa de seus deveres, recusou-se categoricamente.
- O limite para cópias de livros é de até 14 páginas - disse ela.
- Bem, neste caso, nós somos quatro, deve dar pelo menos 56.
Ela não pareceu concordar muito com a proposta, mas levou-nos até a prateleira onde estava o livro. É difícil explicar a sensação de encontrar uma coisa destas, mas diria que não é muito incorreto dizer que estávamos eufóricos. Voltamos com o livro, saindo da área reservada para a sala comum.
Para retirar o livro é necessário preencher a ficha de catalogação que o acompanha (como na maior parte das bibliotecas, diga-se de passagem). Quando puxamos a ficha, outra série de exclamações se seguiu. O único nome registrado, a única pessoa que jamais havia retirado o livro da biblioteca, era justamente nosso professor fominha! Os comentários que se seguiram terminaram por denunciá-lo inadvertidamente. Um detalhe para dar a devida dimensão ao fato: o livro, como mencionei, foi editado em 1968, adquirido pela biblioteca em 1982 e a única retirada (a dele!) havia sido em 1994.
Já estávamos conformados com as páginas a que teríamos direito e escolhemos nossos minguados e preciosos capítulos. Alguma coisa nos olhos da bibliotecária, entretanto, me dizia outra coisa. Pediu-nos que voltassemos no dia seguinte para que fossem cumpridos os ritos de praxe. Bem ela pediu, melhor nós executamos.
No dia seguinte, no mesmo horário retornamos para receber nossas páginas... apenas para receber uma cópia completa!
- Eu vi o quanto vocês precisavam - foi a explicação.
Ouvindo isso, só restou-me lembrar de William de Baskerville que, juntamente com Adso de Melk, adentra a biblioteca beneditina para resgatar o segundo volume da Poética de Aristóteles, o livro proibido de páginas envenenadas, que matava misteriosamente aquele que o lia:
"Uma Abadia é sempre um lugar onde os monges estão em luta entre si para se apoderar do governo da comunidade" - Humberto Eco (O Nome da Rosa - p. 153).
Isso parece igualmente ser verdade para a vida academica...
The Lurker says:"Rerum Novarum ex semel excitata cupiditate" (Encíclica Rerum Novarum - Papa Leão XIII)
julho 22, 2003
The Lurker e a moderna poesia argentina (ou calla y cojea)
Confianzas
Juan Gelman
(Relaciones)
se sienta a la mesa y escribe
«con este poema no tomarás el poder» dice
«con estos versos no harás la Revolución» dice
«ni con miles de versos harás la Revolución» dice
y más: esos versos no han de servirle para
que peones maestros hacheros vivan mejor
coman mejor o él mismo coma viva mejor
ni para enamorar a una le servirán
no ganará plata con ellos
no entrará al cine gratis con ellos
no le darán ropa por ellos
no conseguirá tabaco o vino por ellos
ni papagayos ni bufandas ni barcos
ni toros ni paraguas conseguirá por ellos
si por ellos fuera la lluvia lo mojará
no alcanzará perdón o gracia por ellos
«con este poema no tomarás el poder» dice
«con estos versos no harás la Revolución» dice
«ni con miles de versos harás la Revolución» dice
se sienta a la mesa y escribe
The Lurker dice: "(...) Cierra los ojos ante el viento/ que agita su pollera y/ sobre ella cae la vida continua." - Juan Gelman
Confianzas
Juan Gelman
(Relaciones)
se sienta a la mesa y escribe
«con este poema no tomarás el poder» dice
«con estos versos no harás la Revolución» dice
«ni con miles de versos harás la Revolución» dice
y más: esos versos no han de servirle para
que peones maestros hacheros vivan mejor
coman mejor o él mismo coma viva mejor
ni para enamorar a una le servirán
no ganará plata con ellos
no entrará al cine gratis con ellos
no le darán ropa por ellos
no conseguirá tabaco o vino por ellos
ni papagayos ni bufandas ni barcos
ni toros ni paraguas conseguirá por ellos
si por ellos fuera la lluvia lo mojará
no alcanzará perdón o gracia por ellos
«con este poema no tomarás el poder» dice
«con estos versos no harás la Revolución» dice
«ni con miles de versos harás la Revolución» dice
se sienta a la mesa y escribe
The Lurker dice: "(...) Cierra los ojos ante el viento/ que agita su pollera y/ sobre ella cae la vida continua." - Juan Gelman
julho 18, 2003
The Lurker Radio (ou desperate times call for desperate measures...)
Tenho um amigo que, durante muito tempo, ganhou uns cobres como "DJ", antes disso cair na decadência que é hoje. Naqueles tempos de carregar caixa de som, iluminação, equipamentos e cabos, tinhamos uma música que sempre encerrava a festa, após a qual os "serviços de sonorização" eram definitivamente concluídos.
Nada mais adequado para terminar a semana, não acham?
Bad
U2
Album: Wide Awake In America
If you twist and turn away
If you tear yourself in two again
If I could, yes I would
If I could, I would
Let it go
Surrender
Dislocate
If I could throw this
Lifeless lifeline to the wind
Leave this heart of clay
See you walk, walk away
Into the night
And through the rain
Into the half - light
And through the flame
If I could through myself
Set your spirit free
I'd lead your heart away
See you break, break away
Into the light
And to the day
To let it go
And so to fade away
To let it go
And so fade away
I'm wide awake
I'm wide awake
Wide awake
I'm not sleeping
Oh, no, no, no
If you should ask then maybe they'd
Tell you what I would say
True colors fly in blue and black
Bruised silken sky and burning flag
Colors crash, collide in blood shot eyes
If I could, you know I would
If I could, I would
Let it go...
This desperation
Dislocation
Separation
Condemnation
Revelation
In temptation
Isolation
Desolation
Let it go
And so fade away
To let it go
And so fade away
To let it go
And so to fade away
I'm wide awake
I'm wide awake
Wide awake
I'm not sleeping
Oh, no, no, no
The Lurker says: "I'm wide awake; I'm not sleeping"
Tenho um amigo que, durante muito tempo, ganhou uns cobres como "DJ", antes disso cair na decadência que é hoje. Naqueles tempos de carregar caixa de som, iluminação, equipamentos e cabos, tinhamos uma música que sempre encerrava a festa, após a qual os "serviços de sonorização" eram definitivamente concluídos.
Nada mais adequado para terminar a semana, não acham?
Bad
U2
Album: Wide Awake In America
If you twist and turn away
If you tear yourself in two again
If I could, yes I would
If I could, I would
Let it go
Surrender
Dislocate
If I could throw this
Lifeless lifeline to the wind
Leave this heart of clay
See you walk, walk away
Into the night
And through the rain
Into the half - light
And through the flame
If I could through myself
Set your spirit free
I'd lead your heart away
See you break, break away
Into the light
And to the day
To let it go
And so to fade away
To let it go
And so fade away
I'm wide awake
I'm wide awake
Wide awake
I'm not sleeping
Oh, no, no, no
If you should ask then maybe they'd
Tell you what I would say
True colors fly in blue and black
Bruised silken sky and burning flag
Colors crash, collide in blood shot eyes
If I could, you know I would
If I could, I would
Let it go...
This desperation
Dislocation
Separation
Condemnation
Revelation
In temptation
Isolation
Desolation
Let it go
And so fade away
To let it go
And so fade away
To let it go
And so to fade away
I'm wide awake
I'm wide awake
Wide awake
I'm not sleeping
Oh, no, no, no
The Lurker says: "I'm wide awake; I'm not sleeping"
julho 17, 2003
The Lurker e a entropia (ou de como anda a esplanada dos ministérios)
Essa eu tenho que contar, porque senão ninguém acredita. Antes do pequeno diálogo, cabe uma explicação. Em maio fiz uma apresentação na Universidade de Brasília sobre avaliação de programas e projetos sociais. Umas quarenta almas, se tanto, suportaram a hora da fome para ouvir o que tinha para contar. No final, uma moça (das poucas que fizeram perguntas inteligentes) me procura para discutir uma avaliação que eles vão preparar no Ministério do Esporte.
Ato contínuo, a moça liga uns dias depois, pede uma reunião. Da reunião, pede-se uma apresentação para um secretário e depois para todos os secretários do Ministério. Até aí, tudo bem: só se gastou tempo (montando uma Assistência Preparatória para o ME) e saliva. Já tem umas duas semanas que nada de novo acontecia e tratei de ir cuidar de outras coisas.
Muito bem. Estava eu, hoje às 9:00hs, cuidando da minha vida quando toca o telefone:
- E aí, está pronto para a apresentação? - pergunta meu coordenador geral.
- Como é que é? - foi a minha resposta.
- É, apresentação no Ministério do Esporte.
- Fale sério. Não faço idéia de apresentação nenhuma para eles. De onde saiu isto agora?
- Eu também não sabia – foi a resposta. Mas a apresentação é para o Ministro e vai ser às 10:00hs. Tinha um recado na minha mesa quando cheguei.
- Mas este pessoal não regula... Assim, como trovão em céu azul?
- Pois é. Algum problema?
- Não, não tem. A apresentação é a mesma da última vez. Vou ajeitar o orçamento e está pronto, mas não é bem assim que a banda toca... (risos)
- Fazer o que, né?
- Passo aí e pego você em meia hora?
- Ok. Espero você aqui.
Fim das contas: a apresentação foi feita (pela terceira vez, agora com a presença do secretariado E do Ministro). O Ministro achou que era aquilo mesmo e que os programas de governo precisam mais é de avaliação para saber seu impacto,... q.e.d.
O highlight foi conhecer a Secretária de Esporte de Alto Rendimento, Maria Paula Gonçalves da Silva, mais conhecida como “Magic Paula” ou “Paula do Basquete”, que é muito simpática.
The Lurker Says: "Life is infinitely stranger than anything which the mind of man could invent." Sherlock Holmes - A case of identity.
Essa eu tenho que contar, porque senão ninguém acredita. Antes do pequeno diálogo, cabe uma explicação. Em maio fiz uma apresentação na Universidade de Brasília sobre avaliação de programas e projetos sociais. Umas quarenta almas, se tanto, suportaram a hora da fome para ouvir o que tinha para contar. No final, uma moça (das poucas que fizeram perguntas inteligentes) me procura para discutir uma avaliação que eles vão preparar no Ministério do Esporte.
Ato contínuo, a moça liga uns dias depois, pede uma reunião. Da reunião, pede-se uma apresentação para um secretário e depois para todos os secretários do Ministério. Até aí, tudo bem: só se gastou tempo (montando uma Assistência Preparatória para o ME) e saliva. Já tem umas duas semanas que nada de novo acontecia e tratei de ir cuidar de outras coisas.
Muito bem. Estava eu, hoje às 9:00hs, cuidando da minha vida quando toca o telefone:
- E aí, está pronto para a apresentação? - pergunta meu coordenador geral.
- Como é que é? - foi a minha resposta.
- É, apresentação no Ministério do Esporte.
- Fale sério. Não faço idéia de apresentação nenhuma para eles. De onde saiu isto agora?
- Eu também não sabia – foi a resposta. Mas a apresentação é para o Ministro e vai ser às 10:00hs. Tinha um recado na minha mesa quando cheguei.
- Mas este pessoal não regula... Assim, como trovão em céu azul?
- Pois é. Algum problema?
- Não, não tem. A apresentação é a mesma da última vez. Vou ajeitar o orçamento e está pronto, mas não é bem assim que a banda toca... (risos)
- Fazer o que, né?
- Passo aí e pego você em meia hora?
- Ok. Espero você aqui.
Fim das contas: a apresentação foi feita (pela terceira vez, agora com a presença do secretariado E do Ministro). O Ministro achou que era aquilo mesmo e que os programas de governo precisam mais é de avaliação para saber seu impacto,... q.e.d.
O highlight foi conhecer a Secretária de Esporte de Alto Rendimento, Maria Paula Gonçalves da Silva, mais conhecida como “Magic Paula” ou “Paula do Basquete”, que é muito simpática.
The Lurker Says: "Life is infinitely stranger than anything which the mind of man could invent." Sherlock Holmes - A case of identity.
The Lurker Radio (ou music can say so much)
Esta música, ao ter sido tocada, lembrou-me certa pessoa... Sugiro o tom em monossílabo "Si" sustendido... ;-)
I'll Never Fall In Love Again
Burt Bacharach / Hal David
Album: Close To You (1970)
What do you get when you fall in love?
A girl with a pin to burst your bubble
That's what you get for all your trouble.
I'll never fall in love again.
I'll never fall in love again.
What do you get when you kiss a girl?
You get enough germs to catch pneumonia.
After you do, she'll never phone you.
I'll never fall in love again.
I'll never fall in love again.
Don't tell me what is all about,
'Cause I've been there and I'm glad I'm out,
Out of those chains, those chains that bind you
That is why I'm here to remind you
What do you get when you fall in love?
You get enough tears to fill an ocean
That's what you get for your devotion.
I'll never fall in love again.
I'll never fall in love again.
What do you get when you fall in love?
You only get lies and pain and sorrow.
So, for at least until tomorrow,
I'll never fall in love again!
I'll never fall in love again!
(Part of Bacharach/David - Medley)
Don't tell me what it's all about
`Cause I've been there and I'm glad I'm out
Out of those chains, those chains that bind you
That is why I'm here to remind you. (here to mind you) 3x
What do you get when you fall in love?
You only get lies and pain and sorrow
So, for at least, until tomorrow
I'll never fall in love again
Oh, I'll never fall in love again
The Lurker Says: "Love is a gross exaggeration of the difference between one person and everybody else." -- George Bernard Shaw
Esta música, ao ter sido tocada, lembrou-me certa pessoa... Sugiro o tom em monossílabo "Si" sustendido... ;-)
I'll Never Fall In Love Again
Burt Bacharach / Hal David
Album: Close To You (1970)
What do you get when you fall in love?
A girl with a pin to burst your bubble
That's what you get for all your trouble.
I'll never fall in love again.
I'll never fall in love again.
What do you get when you kiss a girl?
You get enough germs to catch pneumonia.
After you do, she'll never phone you.
I'll never fall in love again.
I'll never fall in love again.
Don't tell me what is all about,
'Cause I've been there and I'm glad I'm out,
Out of those chains, those chains that bind you
That is why I'm here to remind you
What do you get when you fall in love?
You get enough tears to fill an ocean
That's what you get for your devotion.
I'll never fall in love again.
I'll never fall in love again.
What do you get when you fall in love?
You only get lies and pain and sorrow.
So, for at least until tomorrow,
I'll never fall in love again!
I'll never fall in love again!
(Part of Bacharach/David - Medley)
Don't tell me what it's all about
`Cause I've been there and I'm glad I'm out
Out of those chains, those chains that bind you
That is why I'm here to remind you. (here to mind you) 3x
What do you get when you fall in love?
You only get lies and pain and sorrow
So, for at least, until tomorrow
I'll never fall in love again
Oh, I'll never fall in love again
The Lurker Says: "Love is a gross exaggeration of the difference between one person and everybody else." -- George Bernard Shaw
julho 16, 2003
The Lurker e o retorno ao Rio de Janeiro - Parte II (ou três vivas para a revolução digital)
No Brasil nossas companhias aéreas, por uma decisão lá delas, concluíram que não é interessante dar conforto aos passageiros. Explico: da última vez que voei de Atlanta para Salt Lake City (quem lê pensa que faço isso todo dia...) eles tiveram a decência de passar lá seu filminho para a turma de entulhados que, como eu, se acotovelava na classe econômica. É preciso que se entenda que o público que voa dentro dos EUA parece-se muito com nosso pessoal que anda de ônibus no sudeste do Brasil (mesma indumentária, mesmo chinelo de dedo, entulhados de pacotes, etc). Então, que pelo menos apareçam com um anestésico mental para o tédio de quem não vai conseguir dormir. A Aviaco, empresa aérea espanhola, teve o mesmo bom senso de passar um "Tom & Jerry" no vôo Madri-Paris a tempos atrás.
Ciente deste estado de coisas, nesta viagem ao Rio armei-me com meu notebook e uns episódios de Star Trek Enterprise baixados do Kazaa. Infelizmente na ida sofri de um pequeno esquecimento: fones de ouvido. O NB berrava mas era difícil compreender tudo, devido ao ruído interno da aeronave.
Na volta providenciei a aquisição de um par de fones intra-auriculares e vim, lampeiro e pimpão, vendo confortavelmente dois episódios seguidos. Neste ínterim, o menino que viajava na poltrona ao lado não conseguia tirar os olhos da tela (apesar de não ouvir nada). Por seu turno, a comissária interessou-se em saber de onde eu havia obtido os filmes (afinal, pelo menos em teoria, não é permitido o uso de CDs nos aviões).
Definitivamente eu ando mesmo viciado neste computadorzinho. Tomara que eles comecem a ficar mais leves, porque esse negócio de carregar quase dois quilos para um lado e para o outro tem efeitos nada positivos na postura de qualquer um.
The Lurker Says: “Sorry about the mess; sometimes I think my bunk-mate majored in chaos theory.” Crewman Daniels para Capt. Archer, "Cold Front."
No Brasil nossas companhias aéreas, por uma decisão lá delas, concluíram que não é interessante dar conforto aos passageiros. Explico: da última vez que voei de Atlanta para Salt Lake City (quem lê pensa que faço isso todo dia...) eles tiveram a decência de passar lá seu filminho para a turma de entulhados que, como eu, se acotovelava na classe econômica. É preciso que se entenda que o público que voa dentro dos EUA parece-se muito com nosso pessoal que anda de ônibus no sudeste do Brasil (mesma indumentária, mesmo chinelo de dedo, entulhados de pacotes, etc). Então, que pelo menos apareçam com um anestésico mental para o tédio de quem não vai conseguir dormir. A Aviaco, empresa aérea espanhola, teve o mesmo bom senso de passar um "Tom & Jerry" no vôo Madri-Paris a tempos atrás.
Ciente deste estado de coisas, nesta viagem ao Rio armei-me com meu notebook e uns episódios de Star Trek Enterprise baixados do Kazaa. Infelizmente na ida sofri de um pequeno esquecimento: fones de ouvido. O NB berrava mas era difícil compreender tudo, devido ao ruído interno da aeronave.
Na volta providenciei a aquisição de um par de fones intra-auriculares e vim, lampeiro e pimpão, vendo confortavelmente dois episódios seguidos. Neste ínterim, o menino que viajava na poltrona ao lado não conseguia tirar os olhos da tela (apesar de não ouvir nada). Por seu turno, a comissária interessou-se em saber de onde eu havia obtido os filmes (afinal, pelo menos em teoria, não é permitido o uso de CDs nos aviões).
Definitivamente eu ando mesmo viciado neste computadorzinho. Tomara que eles comecem a ficar mais leves, porque esse negócio de carregar quase dois quilos para um lado e para o outro tem efeitos nada positivos na postura de qualquer um.
The Lurker Says: “Sorry about the mess; sometimes I think my bunk-mate majored in chaos theory.” Crewman Daniels para Capt. Archer, "Cold Front."
julho 15, 2003
The Lurker e o retorno ao mundo real (ou bigornas engraçadas são as de 16 toneladas...)
Considerando-se o rumo das atividades e o dia de ontem, cabe um pequeno interlúdio musical em nossa saga sobre o Rio de Janeiro (em especial porque o blogger ainda come os acentos).
"A Man"
Alanis Morissette
Album: Under Rug Swept
I am a man as a man I've been told
Bacon is brought to the house in this mold
Born of your bellies I yearn for the cord
Years I have groveled repentance ignored
And I have been blamed
And I have repented
I'm working my way toward our union mended
I am man who has grown from a son
Been crucified by enraged women
I am son who was raised by such men
I'm often reminded of the fools I'm among
And I have been shamed
And I have relented
I'm working my way toward our union mended
And I have been shamed
And I have repented
I'm working my way toward our union mended
we don't fare well with endless reprimands
we don't do well with a life served as a sentence
this won't work well if you're hell bent on your offence
I am a man who understands your resistance
I am a man who still does what he can
to dispel our archaic reputation
I am a man who has heard all he can
cuz I don't fare well with endless punishment
Cuz I have been blamed and I have repented
I'm working my way toward our union mended
And we have been blamed and we have repented
I'm working my way toward our union mended
The Lurker Says: Say what?
Considerando-se o rumo das atividades e o dia de ontem, cabe um pequeno interlúdio musical em nossa saga sobre o Rio de Janeiro (em especial porque o blogger ainda come os acentos).
"A Man"
Alanis Morissette
Album: Under Rug Swept
I am a man as a man I've been told
Bacon is brought to the house in this mold
Born of your bellies I yearn for the cord
Years I have groveled repentance ignored
And I have been blamed
And I have repented
I'm working my way toward our union mended
I am man who has grown from a son
Been crucified by enraged women
I am son who was raised by such men
I'm often reminded of the fools I'm among
And I have been shamed
And I have relented
I'm working my way toward our union mended
And I have been shamed
And I have repented
I'm working my way toward our union mended
we don't fare well with endless reprimands
we don't do well with a life served as a sentence
this won't work well if you're hell bent on your offence
I am a man who understands your resistance
I am a man who still does what he can
to dispel our archaic reputation
I am a man who has heard all he can
cuz I don't fare well with endless punishment
Cuz I have been blamed and I have repented
I'm working my way toward our union mended
And we have been blamed and we have repented
I'm working my way toward our union mended
The Lurker Says: Say what?
julho 14, 2003
The Lurker e o retorno ao Rio de Janeiro - Parte I (ou a viagem gastronômica de Gulliver)
Esta viagem ao Rio necessitará ser contada em partes. Desta vez tratava-se do IX Seminário de Estatística Aplicada, promovido pelo IASI - Instituto Interamericano de Estatística. Trata-se de uma das mais prestigiosas instituições do campo e o evento contou com a participação de gente de peso, tanto nacional quanto internacional. Como experiência acadêmica foi um episódio excelente: tornei a encontrar diversos técnicos que conheci de tempos passados e fiz novos contatos que, num futuro nada distante, poder?o render trabalhos interessantes. Mas deixemos este papo para mais adiante.
Continuo, como de hábito, buscando lugares interessantes para o repasto vespertino, o qual deve forçosamente ser partilhado como uma companhia inteligente e agradável. Tenho tido muita sorte no Rio quanto a este aspecto. Além do Antiquarius, agora janta-se também no Gero (pronuncia-se djêro). Filhote de seu contraparte, o Fasano, de São Paulo, o Gero possui uma cozinha de excelente qualidade. As massas, pães e outros farináceos são produzidos pelo próprio estabelecimento e servidos frescos. A adega é bem suprida, seu sommelier é instrutivo sem ser intrusivo. Conhece o ramo e seu trabalho. O vinho da noite foi um italiano da região da Úmbria. Confesso minha ignorância: desconhecia que eles produzissem vinho de qualidade por lá. O que nos foi servido era denso e evoluiu muito bem em sua hora de vida, reproduzindo desde especiarias em seu início a frutas vermelhas em seu final. Se eu pelo menos me lembrasse o nome.... Ah sim, as massas al dente estavam excepcionais.
Meu par para a noite tem um hábito peculiar: julga a qualidade do restaurante (italiano) pelo padrão de seu Fetuccine Alfredo, o qual não deve ser feito com creme, (note bem – eu também ignorava). Parece-me um jeito sencillo, como diriam os espanhóis, de se estabelecer uma escala de qualidade, dado que sempre se compara algo com um padrão. Segundo a análise, desta vez o Alfredo estava “to die for”. Não falo do Alfredo, mas posso falar do Talharim aos Quatro Fromaggios, que estava igualmente excepcional. A sobremesa foi um Gateau de chocolate com limão extremamente interessante. O detalhe, que oferece dezenas de pontos na escala São Paulo de atendimento, está em que nada disso consta do cardápio: além de possuírem alta qualidade profissional, os membros da equipe do Gero mostraram versatilidade.
O Antiquarius continua o mesmo. Recomendo, como de hábito, o Filé ao Roquefort. Segundo a crônica, o Camarão (como a anos não vejo daquele tamanho) empanado e recheado com catupiry, também estava à altura do restaurante. A má notícia é que eles saíram da associação da boa lembrança. Ou seja, pessoal, se você tem um prato deles, cuide com carinho, que agora é peça de coleção... Eu tenho o meu, Bacalhau Nunca Chega, adquirido em 2000, continua em perfeito estado... feliz de quem tem o Arroz de Codornizes, que é mais antigo ainda e foi o prato deles por muitos anos... :-)
Em tempo: as "celebridades" da noite ficaram por conta de Agildo Ribeiro (fumando um havana fedorentíssimo) e do Edney Silvestre na mesa do lado.
De passagem por Ipanema, fui igualmente ao Porcão, visitar meu amigo e sommelier da casa, Nibelto (não, eu não seleciono meus amigos pelo nome... :-). Foi uma visita muito interessante, por todo o cuidado e surpresa dele ao me encontrar. Principalmente porque me anunciei como policial civil ao pessoal da recepção... Precisava ver a cara do pobre rapaz quando foi chamá-lo. O resto foi festa e meia hora de discussão sobre vinhos. Detalhe – apesar de interessante, a adega de Ipanema não vale o cadarço da de Brasília e ele sabe disso, pois já trabalhou aqui. De qualquer maneira, mais um estabelecimento com o padrão Porcão de qualidade.
The Lurker Says: One cannot think well, love well, sleep well, if one has not dined well. (Virginia Woolf (1882-1941).
Esta viagem ao Rio necessitará ser contada em partes. Desta vez tratava-se do IX Seminário de Estatística Aplicada, promovido pelo IASI - Instituto Interamericano de Estatística. Trata-se de uma das mais prestigiosas instituições do campo e o evento contou com a participação de gente de peso, tanto nacional quanto internacional. Como experiência acadêmica foi um episódio excelente: tornei a encontrar diversos técnicos que conheci de tempos passados e fiz novos contatos que, num futuro nada distante, poder?o render trabalhos interessantes. Mas deixemos este papo para mais adiante.
Continuo, como de hábito, buscando lugares interessantes para o repasto vespertino, o qual deve forçosamente ser partilhado como uma companhia inteligente e agradável. Tenho tido muita sorte no Rio quanto a este aspecto. Além do Antiquarius, agora janta-se também no Gero (pronuncia-se djêro). Filhote de seu contraparte, o Fasano, de São Paulo, o Gero possui uma cozinha de excelente qualidade. As massas, pães e outros farináceos são produzidos pelo próprio estabelecimento e servidos frescos. A adega é bem suprida, seu sommelier é instrutivo sem ser intrusivo. Conhece o ramo e seu trabalho. O vinho da noite foi um italiano da região da Úmbria. Confesso minha ignorância: desconhecia que eles produzissem vinho de qualidade por lá. O que nos foi servido era denso e evoluiu muito bem em sua hora de vida, reproduzindo desde especiarias em seu início a frutas vermelhas em seu final. Se eu pelo menos me lembrasse o nome.... Ah sim, as massas al dente estavam excepcionais.
Meu par para a noite tem um hábito peculiar: julga a qualidade do restaurante (italiano) pelo padrão de seu Fetuccine Alfredo, o qual não deve ser feito com creme, (note bem – eu também ignorava). Parece-me um jeito sencillo, como diriam os espanhóis, de se estabelecer uma escala de qualidade, dado que sempre se compara algo com um padrão. Segundo a análise, desta vez o Alfredo estava “to die for”. Não falo do Alfredo, mas posso falar do Talharim aos Quatro Fromaggios, que estava igualmente excepcional. A sobremesa foi um Gateau de chocolate com limão extremamente interessante. O detalhe, que oferece dezenas de pontos na escala São Paulo de atendimento, está em que nada disso consta do cardápio: além de possuírem alta qualidade profissional, os membros da equipe do Gero mostraram versatilidade.
O Antiquarius continua o mesmo. Recomendo, como de hábito, o Filé ao Roquefort. Segundo a crônica, o Camarão (como a anos não vejo daquele tamanho) empanado e recheado com catupiry, também estava à altura do restaurante. A má notícia é que eles saíram da associação da boa lembrança. Ou seja, pessoal, se você tem um prato deles, cuide com carinho, que agora é peça de coleção... Eu tenho o meu, Bacalhau Nunca Chega, adquirido em 2000, continua em perfeito estado... feliz de quem tem o Arroz de Codornizes, que é mais antigo ainda e foi o prato deles por muitos anos... :-)
Em tempo: as "celebridades" da noite ficaram por conta de Agildo Ribeiro (fumando um havana fedorentíssimo) e do Edney Silvestre na mesa do lado.
De passagem por Ipanema, fui igualmente ao Porcão, visitar meu amigo e sommelier da casa, Nibelto (não, eu não seleciono meus amigos pelo nome... :-). Foi uma visita muito interessante, por todo o cuidado e surpresa dele ao me encontrar. Principalmente porque me anunciei como policial civil ao pessoal da recepção... Precisava ver a cara do pobre rapaz quando foi chamá-lo. O resto foi festa e meia hora de discussão sobre vinhos. Detalhe – apesar de interessante, a adega de Ipanema não vale o cadarço da de Brasília e ele sabe disso, pois já trabalhou aqui. De qualquer maneira, mais um estabelecimento com o padrão Porcão de qualidade.
The Lurker Says: One cannot think well, love well, sleep well, if one has not dined well. (Virginia Woolf (1882-1941).
maio 25, 2003
The Lurker and The Lurker (ou Tecum Nosce)
Sou um otimista por natureza. Acho que tudo vai dar certo e acredito, erradamente, que coisas ruins não acontecem às boas pessoas. Creio no trabalho e na dedicação como forma de ascensão social. Fujo de gente preguiçosa, mas reconheço a necessidade do ócio (criativo ou não). Acredito que o caminho mais interessante normalmente é o mais difícil. Sou áries com ascendente em capricórnio, o que dá os dois cabeçudos do zodíaco num cara só. Nem sempre sou fácil de lidar e reconheço isso. Peco mais pelo excesso do que pela falta. Às vezes me arrependo. Outras não.
Morro de medo de dar com a cara na parede. Não deixo de correr riscos o tempo todo. Já caí do cavalo, mas monto de volta tantas quantas for necessário. Já fiz escolhas profissionais erradas. Costumo morder mais do que posso mastigar, mas não aprendo apesar de tudo.
Sou amigo de meus amigos. Eles sabem quem são e o que isso significa. Sou verdadeiro, leal, franco e sincero. Digo na cara se achar que é necessário, mesmo que doa. Me mordo se não falar e descobrir que fazia diferença. Vou direto ao ponto, detesto filigranas e rodeios sociais.
Já fui guia turístico, gerente de restaurante e professor de informática (em domicílio). Hoje tenho uma equipe de avaliação para coordenar e nunca me diverti tanto no trabalho. Estudei música, economia, e psicologia. Fiz graduação, mestrado e espero concluir o doutorado. Tenho grande facilidade para falar outras línguas e isso já me abriu várias portas.
Dizem que tenho um senso de humor mordaz e ácido. Gosto quando consigo ser engraçado ou divertido. Perco a piada para manter o amigo. Falo alto quando discuto política ou religião e tenho posições bastante pessoais sobre estes assuntos. Detesto mediocridade e grosseria.
Tenho uma cicatriz entre os olhos, presente de meu eu criança que jogava futebol com lata de refrigerante.
Gosto de queijo forte, carne vermelha, vinho denso, tabaco de cachimbo e martini seco feito com wodka Absolut. Não fumo cigarros e detesto o cheiro. Bebo socialmente e a idade tem me tornado muito social. Nunca bebo até cair, sei quando parar e não sou inconveniente. Odeio ressaca e ela me odeia.
Sou amante de muitos vícios, mas o único que cultivo é a vida. Tenho pouco respeito por gente que depende de química. Não tenho qualquer respeito por quem é incapaz de controlar suas vontades. Não suporto gente fútil e rebeldes sem causa.
Já rodei um pouco pelo mundo, não tanto quanto gostaria. Estive em todos os estados do Brasil exceto quatro na região norte. Conheci meia Europa, o que deixa ainda metade para visitar.Sou louco pela França e espero voltar lá muitas vezes. Não faço a menor questão de voltar à América, a não ser que seja para Nova Iorque e com a companhia certa. Acho o americano uma besta quadrada, mas já me provaram que podem ser boa gente. Talvez um dia vá a São Francisco. Adoro Santiago de Compostela. Detesto Salt Lake City.
Tenho tendinite no braço direito, presente de meu eu adolescente e de horas de jogo no computador. Fiz um acordo com ela: trato-a com respeito e ela finge que não está lá.
Gosto de frio e de neve, coisas complicadas em um país tropical. Gosto de mergulho, esgrima e tiro. Sou péssimo em esportes coletivos. Já soube dançar um dia. Adoro Victor Hugo, Júlio Verne e Alexandre Dumas. Desprezo Paulo Coelho e Lair Ribeiro. Gosto de Astor Piazzola, Mozart, Ella Fitzgerald, Tom Jobim e U2. Meu musical favorito é Les Miserábles e sei que, agora, só poderei assistir de novo em Londres. Acho que música techno é a maior perda de tempo e que o funk não vai conseguir piorar mais. Sei que estou errado quanto ao funk.
Gosto de chegar em casa. Adoro estar solto no mundo e não ter que voltar para casa. Um dia ainda vou construir uma ecologicamente correta, com cachorros, uma torre e um jardim grande com plátanos.
Acho que dinheiro é para gastar, mas economizo como um esquilo que recolhe nozes para o inverno. Acho que o poder deve ser usado em favor das pessoas. Detesto futrica, intriga e fofoca. Adoro entrevistar gente para emprego e sou feliz porque nunca tive que demitir ninguém. Meus olhos brilham quando vejo gente corajosa.
Me realizo falando em público. Detesto quando acho que estou fazendo as pessoas perderem tempo ou não estou dizendo algo que faça diferença. Preparo minhas aulas, mas sempre acabo improvisando alguma coisa.
Sei que não devo durar muito além dos 65, mas gostaria de viver para sempre. Corro contra o tempo para fazer desta a melhor vida que terei. Não acredito em aposentadoria, a não ser que seja a partir dos 40.
Acho que, apesar de tudo, o mundo tem jeito e quero dar meu pitaco.
The Lurker says: "Homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses" dizeres do pórtico do templo de Apolo em Delfos.
Sou um otimista por natureza. Acho que tudo vai dar certo e acredito, erradamente, que coisas ruins não acontecem às boas pessoas. Creio no trabalho e na dedicação como forma de ascensão social. Fujo de gente preguiçosa, mas reconheço a necessidade do ócio (criativo ou não). Acredito que o caminho mais interessante normalmente é o mais difícil. Sou áries com ascendente em capricórnio, o que dá os dois cabeçudos do zodíaco num cara só. Nem sempre sou fácil de lidar e reconheço isso. Peco mais pelo excesso do que pela falta. Às vezes me arrependo. Outras não.
Morro de medo de dar com a cara na parede. Não deixo de correr riscos o tempo todo. Já caí do cavalo, mas monto de volta tantas quantas for necessário. Já fiz escolhas profissionais erradas. Costumo morder mais do que posso mastigar, mas não aprendo apesar de tudo.
Sou amigo de meus amigos. Eles sabem quem são e o que isso significa. Sou verdadeiro, leal, franco e sincero. Digo na cara se achar que é necessário, mesmo que doa. Me mordo se não falar e descobrir que fazia diferença. Vou direto ao ponto, detesto filigranas e rodeios sociais.
Já fui guia turístico, gerente de restaurante e professor de informática (em domicílio). Hoje tenho uma equipe de avaliação para coordenar e nunca me diverti tanto no trabalho. Estudei música, economia, e psicologia. Fiz graduação, mestrado e espero concluir o doutorado. Tenho grande facilidade para falar outras línguas e isso já me abriu várias portas.
Dizem que tenho um senso de humor mordaz e ácido. Gosto quando consigo ser engraçado ou divertido. Perco a piada para manter o amigo. Falo alto quando discuto política ou religião e tenho posições bastante pessoais sobre estes assuntos. Detesto mediocridade e grosseria.
Tenho uma cicatriz entre os olhos, presente de meu eu criança que jogava futebol com lata de refrigerante.
Gosto de queijo forte, carne vermelha, vinho denso, tabaco de cachimbo e martini seco feito com wodka Absolut. Não fumo cigarros e detesto o cheiro. Bebo socialmente e a idade tem me tornado muito social. Nunca bebo até cair, sei quando parar e não sou inconveniente. Odeio ressaca e ela me odeia.
Sou amante de muitos vícios, mas o único que cultivo é a vida. Tenho pouco respeito por gente que depende de química. Não tenho qualquer respeito por quem é incapaz de controlar suas vontades. Não suporto gente fútil e rebeldes sem causa.
Já rodei um pouco pelo mundo, não tanto quanto gostaria. Estive em todos os estados do Brasil exceto quatro na região norte. Conheci meia Europa, o que deixa ainda metade para visitar.Sou louco pela França e espero voltar lá muitas vezes. Não faço a menor questão de voltar à América, a não ser que seja para Nova Iorque e com a companhia certa. Acho o americano uma besta quadrada, mas já me provaram que podem ser boa gente. Talvez um dia vá a São Francisco. Adoro Santiago de Compostela. Detesto Salt Lake City.
Tenho tendinite no braço direito, presente de meu eu adolescente e de horas de jogo no computador. Fiz um acordo com ela: trato-a com respeito e ela finge que não está lá.
Gosto de frio e de neve, coisas complicadas em um país tropical. Gosto de mergulho, esgrima e tiro. Sou péssimo em esportes coletivos. Já soube dançar um dia. Adoro Victor Hugo, Júlio Verne e Alexandre Dumas. Desprezo Paulo Coelho e Lair Ribeiro. Gosto de Astor Piazzola, Mozart, Ella Fitzgerald, Tom Jobim e U2. Meu musical favorito é Les Miserábles e sei que, agora, só poderei assistir de novo em Londres. Acho que música techno é a maior perda de tempo e que o funk não vai conseguir piorar mais. Sei que estou errado quanto ao funk.
Gosto de chegar em casa. Adoro estar solto no mundo e não ter que voltar para casa. Um dia ainda vou construir uma ecologicamente correta, com cachorros, uma torre e um jardim grande com plátanos.
Acho que dinheiro é para gastar, mas economizo como um esquilo que recolhe nozes para o inverno. Acho que o poder deve ser usado em favor das pessoas. Detesto futrica, intriga e fofoca. Adoro entrevistar gente para emprego e sou feliz porque nunca tive que demitir ninguém. Meus olhos brilham quando vejo gente corajosa.
Me realizo falando em público. Detesto quando acho que estou fazendo as pessoas perderem tempo ou não estou dizendo algo que faça diferença. Preparo minhas aulas, mas sempre acabo improvisando alguma coisa.
Sei que não devo durar muito além dos 65, mas gostaria de viver para sempre. Corro contra o tempo para fazer desta a melhor vida que terei. Não acredito em aposentadoria, a não ser que seja a partir dos 40.
Acho que, apesar de tudo, o mundo tem jeito e quero dar meu pitaco.
The Lurker says: "Homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses" dizeres do pórtico do templo de Apolo em Delfos.
maio 24, 2003
The Lurker Update (ou 15 segundos de fama)
Um rápido update do caso da reportagem na Esplanada dos Ministérios: a tal filmagem passou, efetivamente, no jornal local. Descobri isso no outro dia, quando vieram me perguntar se eu havia me cansado e se a perna doía...
- Ué? Por que?
- Ora, andando sob o Sol até o congresso...
E, segundo me disseram, agora somos "funcionários do Congresso Nacional que tiveram que estacionar longe por causa da confusão". Eu disse que repórter não acerta uma... formadores de opinião... Era preciso que eles tivessem uma primeiro...
The Lurker says: "The things most people want to know about are usually none of their business" George Bernard Shaw
Um rápido update do caso da reportagem na Esplanada dos Ministérios: a tal filmagem passou, efetivamente, no jornal local. Descobri isso no outro dia, quando vieram me perguntar se eu havia me cansado e se a perna doía...
- Ué? Por que?
- Ora, andando sob o Sol até o congresso...
E, segundo me disseram, agora somos "funcionários do Congresso Nacional que tiveram que estacionar longe por causa da confusão". Eu disse que repórter não acerta uma... formadores de opinião... Era preciso que eles tivessem uma primeiro...
The Lurker says: "The things most people want to know about are usually none of their business" George Bernard Shaw
maio 20, 2003
The Lurker vai ao Congresso Nacional (ou plus ça change, plus c´est la memme chose)
Hoje foi o dia do lançamento, pela UNESCO no Brasil, da Década para a Alfabetização: um acontecimento cheio de pompa, circunstância e cabeças coroadas da educação nacional, que se realizou no Salão Negro do Congresso Nacional. Lá estavam desde figuras “mitológicas” como a “policrômica” Esther Gross, passando por Martha Suplicy (escoltada por seu antigo consorte), até Viviane Senna e Cristóvam Buarque.
O interessante dessas coisas, para nós reles mortais, sempre é o que acontece enquanto as autoridades estão entretidas em seus pronunciamentos. Senão vejamos:
No caminho para o Congresso, na Esplanada dos Ministérios havia uma manifestação de perueiros de Goiânia, que protestavam contra a ameaça de que o serviço prestado por eles fosse desativado, parando o trânsito e bloquando o acesso de qualquer coisa maior que uma motoneta. Resultado: gente desviando pelo gramado, pela calçada, pela contramão (cadê a polícia?), gente saindo dos carros para brigar com os perueiros (CADÊ a polícia?), enfim, uma brafunda geral.
Depois de dez minutos no táxi imobilizado (sim, porque a muito tempo não se encontra estacionamento na Esplanada) decidimos desembarcar e andar o kilômetro que nos separava do Congresso. E vamos nós, os três patetas, andando e observando o caos urbano instalado no “centro das decisões nacionais” quando, no sentido oposto, observamos um cavalheiro armado de filmadora, com o símbolo inconfundível da vênus platinada. Epa... lá vem coisa... Junto ao sujeito, uma sujeita armada com um microfone... Opa... opa... eu não gosto disso... nunca disse nada a um repórter que fosse repetido direito...
- Vocês vem andando desde onde? – Pergunta com aquele jeito meio sádico de repórter que vê o circo pegar fogo.
- Desde o Ministério do Trabalho, tem uns 10 minutos – Respondemos, sorrindo como se nada estivesse acontecendo.
A pobre não pareceu muito interessada em nos entrevistar depois disso.
Passamos a seguir por um acampamento dos tais perueiros goianos, mas o motivo do protesto ainda não era totalmente claro. Afinal, descobrimos onde estava a "mundiça": sob a sombra de duas árvores deveria haver uns dez policiais, enquanto dois pobres coitados apitavam feito loucos à frente de um semáforo, como se suas armas sônicas fossem mover as vans um milímetro que fosse. Mais adiante, um grupo de oficiais da PM observava como se não fosse com eles...
Chegamos finalmente ao Congresso, entramos pela rampa superior, explicando ao Policial Federal que tínhamos o direito de entrar por ali mesmo porque era nossa organização quem bancava a festa. Nada como o bom e velho terno e gravata: ninguém reclama de nada, ninguém pede identificação de nada.
A cerimônia começa com a constituição da mesa, que tem mais gente do que se possa achar razoável (seguramente uns 15 notáveis). Jamais entendi essa mania que temos no Brasil de encher a mesa de autoridades que tem e que não tem a ver com o evento. E todo mundo tem que ter sua vez de discursar o tempo que achar necessário... os discursos se alongam, o público se cansa e a festa se esvazia. Mas para mim tudo bem: estou circulando mesmo, conhecendo quem não conhecia e discutindo projetos interessantes. Que me interessa o que o Governador do Alagoas tem a chorar, sobre sua população de 50% de analfabetos? Não são constatações panfletárias do momento que resolvem o problema. Não é a indignação demagógica que alfabetiza e não é nos salões que as coisas se ajeitam. O que resolverá o problema será a continuidade e apersistência das ações de governo. Então, deixa a verborragia correr e vamos cuidar daquilo que os técnicos fazem (Groo faz o que Groo faz melhor).
O tempo passa e a mente flutua... é interessante observar, contudo, que o nouveau régime parece ter herdado um tanto da hipocrisia do antigo, ao usar um grupo de alunos recém-alfabetizados da Câmara como exemplo de implantação de programas deste tipo e de espírito cívico e empreendedor. Explico: em princípio os programas de alfabetização levam cerca de seis meses. A atual administração ainda não completou 180 dias e, com certeza, não foi no recesso parlamentar que este pessoal estudou.
Entretanto, la nouvelle vague tem outros méritos: atravessando o salão, ao largo da cerimônia, com cara de quem não sabe exatamente o que acontece, mas conhece na pele os problemas que se discutem na mesa de honra, entra um grupo de representantes do MST. E é, para mim, o highlight do evento: passam ao lado dos convidados e em filas, ordeiramente, os mais velhos tiram seus chapéus, os mais jovens olham com curiosidade. Demonstram muito mais respeito a uma cerimônia cujos objetivos ignoram do que muitos dos doutores presentes que conversam no salão apinhado enquanto os diversos discursos se sucedem.
Comento com uma amiga que esta talvez seja a diferença entre aquilo que era e aquilo que é. Desde a Esplanada até o Salão as pessoas mais humildes, que a vinte anos nem pensariam em fazer o que fazem agora estão tomando o espaço que, conquanto não saibam, lhes pertence por direito. Se o grande legado de FHC foi a estabilidade das instituições, a contribuição da nova gestão parece estar sendo permitir que mais alguém, além do seleto grupo de iluminados de sempre, participe destas mesmas instituições.
PS: Lembra quando eu disse que queria mais três semanas iguais às de 05 de maio? Sabe aquele negócio de cuidado com o que deseja porque você pode conseguir? Nada mais verdadeiro...Alguém poderia tirar o pé do acelerador, por gentileza?
The Lurker Says: “I recommend biting off more than you can chew to anyone” (Allanis Morissete – You Learn)
Hoje foi o dia do lançamento, pela UNESCO no Brasil, da Década para a Alfabetização: um acontecimento cheio de pompa, circunstância e cabeças coroadas da educação nacional, que se realizou no Salão Negro do Congresso Nacional. Lá estavam desde figuras “mitológicas” como a “policrômica” Esther Gross, passando por Martha Suplicy (escoltada por seu antigo consorte), até Viviane Senna e Cristóvam Buarque.
O interessante dessas coisas, para nós reles mortais, sempre é o que acontece enquanto as autoridades estão entretidas em seus pronunciamentos. Senão vejamos:
No caminho para o Congresso, na Esplanada dos Ministérios havia uma manifestação de perueiros de Goiânia, que protestavam contra a ameaça de que o serviço prestado por eles fosse desativado, parando o trânsito e bloquando o acesso de qualquer coisa maior que uma motoneta. Resultado: gente desviando pelo gramado, pela calçada, pela contramão (cadê a polícia?), gente saindo dos carros para brigar com os perueiros (CADÊ a polícia?), enfim, uma brafunda geral.
Depois de dez minutos no táxi imobilizado (sim, porque a muito tempo não se encontra estacionamento na Esplanada) decidimos desembarcar e andar o kilômetro que nos separava do Congresso. E vamos nós, os três patetas, andando e observando o caos urbano instalado no “centro das decisões nacionais” quando, no sentido oposto, observamos um cavalheiro armado de filmadora, com o símbolo inconfundível da vênus platinada. Epa... lá vem coisa... Junto ao sujeito, uma sujeita armada com um microfone... Opa... opa... eu não gosto disso... nunca disse nada a um repórter que fosse repetido direito...
- Vocês vem andando desde onde? – Pergunta com aquele jeito meio sádico de repórter que vê o circo pegar fogo.
- Desde o Ministério do Trabalho, tem uns 10 minutos – Respondemos, sorrindo como se nada estivesse acontecendo.
A pobre não pareceu muito interessada em nos entrevistar depois disso.
Passamos a seguir por um acampamento dos tais perueiros goianos, mas o motivo do protesto ainda não era totalmente claro. Afinal, descobrimos onde estava a "mundiça": sob a sombra de duas árvores deveria haver uns dez policiais, enquanto dois pobres coitados apitavam feito loucos à frente de um semáforo, como se suas armas sônicas fossem mover as vans um milímetro que fosse. Mais adiante, um grupo de oficiais da PM observava como se não fosse com eles...
Chegamos finalmente ao Congresso, entramos pela rampa superior, explicando ao Policial Federal que tínhamos o direito de entrar por ali mesmo porque era nossa organização quem bancava a festa. Nada como o bom e velho terno e gravata: ninguém reclama de nada, ninguém pede identificação de nada.
A cerimônia começa com a constituição da mesa, que tem mais gente do que se possa achar razoável (seguramente uns 15 notáveis). Jamais entendi essa mania que temos no Brasil de encher a mesa de autoridades que tem e que não tem a ver com o evento. E todo mundo tem que ter sua vez de discursar o tempo que achar necessário... os discursos se alongam, o público se cansa e a festa se esvazia. Mas para mim tudo bem: estou circulando mesmo, conhecendo quem não conhecia e discutindo projetos interessantes. Que me interessa o que o Governador do Alagoas tem a chorar, sobre sua população de 50% de analfabetos? Não são constatações panfletárias do momento que resolvem o problema. Não é a indignação demagógica que alfabetiza e não é nos salões que as coisas se ajeitam. O que resolverá o problema será a continuidade e apersistência das ações de governo. Então, deixa a verborragia correr e vamos cuidar daquilo que os técnicos fazem (Groo faz o que Groo faz melhor).
O tempo passa e a mente flutua... é interessante observar, contudo, que o nouveau régime parece ter herdado um tanto da hipocrisia do antigo, ao usar um grupo de alunos recém-alfabetizados da Câmara como exemplo de implantação de programas deste tipo e de espírito cívico e empreendedor. Explico: em princípio os programas de alfabetização levam cerca de seis meses. A atual administração ainda não completou 180 dias e, com certeza, não foi no recesso parlamentar que este pessoal estudou.
Entretanto, la nouvelle vague tem outros méritos: atravessando o salão, ao largo da cerimônia, com cara de quem não sabe exatamente o que acontece, mas conhece na pele os problemas que se discutem na mesa de honra, entra um grupo de representantes do MST. E é, para mim, o highlight do evento: passam ao lado dos convidados e em filas, ordeiramente, os mais velhos tiram seus chapéus, os mais jovens olham com curiosidade. Demonstram muito mais respeito a uma cerimônia cujos objetivos ignoram do que muitos dos doutores presentes que conversam no salão apinhado enquanto os diversos discursos se sucedem.
Comento com uma amiga que esta talvez seja a diferença entre aquilo que era e aquilo que é. Desde a Esplanada até o Salão as pessoas mais humildes, que a vinte anos nem pensariam em fazer o que fazem agora estão tomando o espaço que, conquanto não saibam, lhes pertence por direito. Se o grande legado de FHC foi a estabilidade das instituições, a contribuição da nova gestão parece estar sendo permitir que mais alguém, além do seleto grupo de iluminados de sempre, participe destas mesmas instituições.
PS: Lembra quando eu disse que queria mais três semanas iguais às de 05 de maio? Sabe aquele negócio de cuidado com o que deseja porque você pode conseguir? Nada mais verdadeiro...Alguém poderia tirar o pé do acelerador, por gentileza?
The Lurker Says: “I recommend biting off more than you can chew to anyone” (Allanis Morissete – You Learn)
maio 15, 2003
The Lurker Radio (ou o retorno à vida de "solteiro")
Heartbreak Hotel
Words and music by Mae B. Axton, Tommy Durden, and Elvis Presley
Well, since my baby left me,
I found a new place to dwell.
It's down at the end of lonely street
at Heartbreak Hotel.
You make me so lonely baby,
I get so lonely,
I get so lonely I could die.
And although it's always crowded,
you still can find some room.
Where broken hearted lovers
do cry away their gloom.
You make me so lonely baby,
I get so lonely,
I get so lonely I could die.
Well, the Bell hop's tears keep flowin',
and the desk clerk's dressed in black.
Well they been so long on lonely street
They ain't ever gonna look back.
You make me so lonely baby,
I get so lonely,
I get so lonely I could die.
Hey now, if your baby leaves you,
and you got a tale to tell.
Just take a walk down lonely street
to Heartbreak Hotel.
The Lurker Says: "These days people seek knowledge, not wisdom. Knowledge is of the past, wisdom is of the future." (Vernon Cooper)
Heartbreak Hotel
Words and music by Mae B. Axton, Tommy Durden, and Elvis Presley
Well, since my baby left me,
I found a new place to dwell.
It's down at the end of lonely street
at Heartbreak Hotel.
You make me so lonely baby,
I get so lonely,
I get so lonely I could die.
And although it's always crowded,
you still can find some room.
Where broken hearted lovers
do cry away their gloom.
You make me so lonely baby,
I get so lonely,
I get so lonely I could die.
Well, the Bell hop's tears keep flowin',
and the desk clerk's dressed in black.
Well they been so long on lonely street
They ain't ever gonna look back.
You make me so lonely baby,
I get so lonely,
I get so lonely I could die.
Hey now, if your baby leaves you,
and you got a tale to tell.
Just take a walk down lonely street
to Heartbreak Hotel.
The Lurker Says: "These days people seek knowledge, not wisdom. Knowledge is of the past, wisdom is of the future." (Vernon Cooper)
maio 13, 2003
The Lurker Radio (ou "There are two tragedies in life: one is not to get your heart's desire. The other is to get it.")
Circle of Life
Music by Elton John, lyrics by Tim Rice
Performed by Elton John
From the day we arrive on the planet
And blinking, step into the sun
There's more to be seen than can ever be seen
More to do than can ever be done
Some say eat or be eaten
Some say live and let live
But all are agreed as they join the stampede
You should never take more than you give
(Chorus)
In the Circle of Life
It's the wheel of fortune
It's the leap of faith
It's the band of hope
Till we find our place
On the path unwinding
In the Circle, the Circle of Life
Some of us fall by the wayside
And some of us soar to the stars
And some of us sail through our troubles
And some have to live with the scars
There's far too much to take in here
More to find than can ever be found
But the sun rolling high
Through the sapphire sky
Keeps the great and small on the endless round
(Chorus repeats)
On the path unwinding
In the Circle, the Circle of Life.
The Lurker Says: "The reasonable man adapts himself to the conditions that surround him... The unreasonable man adapts surrounding conditions to himself... All progress depends on the unreasonable man." (George Bernard Shaw)
Circle of Life
Music by Elton John, lyrics by Tim Rice
Performed by Elton John
From the day we arrive on the planet
And blinking, step into the sun
There's more to be seen than can ever be seen
More to do than can ever be done
Some say eat or be eaten
Some say live and let live
But all are agreed as they join the stampede
You should never take more than you give
(Chorus)
In the Circle of Life
It's the wheel of fortune
It's the leap of faith
It's the band of hope
Till we find our place
On the path unwinding
In the Circle, the Circle of Life
Some of us fall by the wayside
And some of us soar to the stars
And some of us sail through our troubles
And some have to live with the scars
There's far too much to take in here
More to find than can ever be found
But the sun rolling high
Through the sapphire sky
Keeps the great and small on the endless round
(Chorus repeats)
On the path unwinding
In the Circle, the Circle of Life.
The Lurker Says: "The reasonable man adapts himself to the conditions that surround him... The unreasonable man adapts surrounding conditions to himself... All progress depends on the unreasonable man." (George Bernard Shaw)
maio 12, 2003
The Lurker swimming among the sharks (ou where my heart took me last week)
Last week's extra mile foi mais longa do que imaginei originalmente. E foi das melhores, senão a melhor até hoje! Mais umas três dessas e, havendo sobrevida, será fabuloso! :-)
Foram quatro apresentações diferentes (no Ministério dos Esportes, CNI/SESI e duas na UnB, sendo uma no doutorado) em quatro dias seguidos. Dois dias de seminário montado por minha equipe em uma reunião que acabou sendo absorvida por outra maior, com gente "grande" em uma organização maior ainda, falando de números de pessoas e valores financeiros cheios de zeros. A responsabilidade de interferir nestes processos dá frio no estômago, principalmente em projetos com quatro anos de duração (as decisões de hoje farão diferença em dois anos... para o bem e para o mal).
Dias de pouco sono, muita ansiedade, alguma angústia e pouca comida. Gente competente do seu lado, gente esforçada na interlocução do outro lado. Vontade de avançar, iniciativa, garra e coragem. Cinco dias de dor de cabeça, preocupação, gratificação de meses de ralação e anos enfiado nos livros. Estratégia, responsabilidade, confiança, técnica e jogo de cintura.
Rigorosamente todos os objetivos foram atingidos nas três esferas de trabalho. E com direito a benefícios colaterais, colocando pilha em um amigo que precisa de mais reconhecimento de seus chefes e ainda arranjando emprego para um outro que teve que abandonar o doutorado no exterior por motivos familiares. Boas notícias vieram também de outros estados, onde uma pessoa que tem batalhado e merece reconhecimento está também recebendo seu quinhão.
Em resumo: A semana no inferno concluiu-se com um mergulho no paraíso e na agradável sensação de dever cumprido, apesar da impressão que um trator me passou por cima do occiptal. As próximas duas semanas ainda beberão muito desta fonte.
Hmm.... o que será que vem depois dessa colina?
Detalhes peculiares:
Na reunião com o Secretário Nacional de Esporte Educacional descobri que os líderes estudantis de 10 ou 15 anos atrás estão chegando ao poder... e que ainda citam Max Weber ao se rebelarem contra a burocracia do estado. Veremos o que fazem agora que estão com as ferramentas do próprio Estado na mão.
Na reunião com o Diretor de Avaliação da Educação Básica descobri que os novos tecnocratas têm sede de mudanças, querem que elas aconteçam rápido e que querem rever ao microscópio o que foi feito na gestão anterior.
Com o Secretário Nacional de Educação Infantil descobri que existe uma visão de integração no governo, buscado evitar duplicidade de esforços e melhor aprovietamento de recursos.
Andando com meu diretor aprendi mais um pouco de como se jogam as peças do tabuleiro da negociação com o executivo e seus assemelhados. E que a maioria das pessoas envolvidas é honesta e possui interesse público (e não no público...).
The Lurker Says: "He Inoa No Kalani Kalakaua — kulele!"
Last week's extra mile foi mais longa do que imaginei originalmente. E foi das melhores, senão a melhor até hoje! Mais umas três dessas e, havendo sobrevida, será fabuloso! :-)
Foram quatro apresentações diferentes (no Ministério dos Esportes, CNI/SESI e duas na UnB, sendo uma no doutorado) em quatro dias seguidos. Dois dias de seminário montado por minha equipe em uma reunião que acabou sendo absorvida por outra maior, com gente "grande" em uma organização maior ainda, falando de números de pessoas e valores financeiros cheios de zeros. A responsabilidade de interferir nestes processos dá frio no estômago, principalmente em projetos com quatro anos de duração (as decisões de hoje farão diferença em dois anos... para o bem e para o mal).
Dias de pouco sono, muita ansiedade, alguma angústia e pouca comida. Gente competente do seu lado, gente esforçada na interlocução do outro lado. Vontade de avançar, iniciativa, garra e coragem. Cinco dias de dor de cabeça, preocupação, gratificação de meses de ralação e anos enfiado nos livros. Estratégia, responsabilidade, confiança, técnica e jogo de cintura.
Rigorosamente todos os objetivos foram atingidos nas três esferas de trabalho. E com direito a benefícios colaterais, colocando pilha em um amigo que precisa de mais reconhecimento de seus chefes e ainda arranjando emprego para um outro que teve que abandonar o doutorado no exterior por motivos familiares. Boas notícias vieram também de outros estados, onde uma pessoa que tem batalhado e merece reconhecimento está também recebendo seu quinhão.
Em resumo: A semana no inferno concluiu-se com um mergulho no paraíso e na agradável sensação de dever cumprido, apesar da impressão que um trator me passou por cima do occiptal. As próximas duas semanas ainda beberão muito desta fonte.
Hmm.... o que será que vem depois dessa colina?
Detalhes peculiares:
Na reunião com o Secretário Nacional de Esporte Educacional descobri que os líderes estudantis de 10 ou 15 anos atrás estão chegando ao poder... e que ainda citam Max Weber ao se rebelarem contra a burocracia do estado. Veremos o que fazem agora que estão com as ferramentas do próprio Estado na mão.
Na reunião com o Diretor de Avaliação da Educação Básica descobri que os novos tecnocratas têm sede de mudanças, querem que elas aconteçam rápido e que querem rever ao microscópio o que foi feito na gestão anterior.
Com o Secretário Nacional de Educação Infantil descobri que existe uma visão de integração no governo, buscado evitar duplicidade de esforços e melhor aprovietamento de recursos.
Andando com meu diretor aprendi mais um pouco de como se jogam as peças do tabuleiro da negociação com o executivo e seus assemelhados. E que a maioria das pessoas envolvidas é honesta e possui interesse público (e não no público...).
The Lurker Says: "He Inoa No Kalani Kalakaua — kulele!"
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